O vice-presidente do PT, Washington Quaquá, criticou publicamente o líder do partido na Câmara, Lindbergh Farias, após o embate com o presidente da Câmara, Hugo Motta, nesta terça-feira (25), em Brasília. A manifestação ocorreu em um grupo interno da sigla, onde Quaquá pediu que o alerta fosse levado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ampliando o conflito político dentro da base aliada.
No grupo de mensagens, Quaquá questionou a postura de Lindbergh Farias ao confrontar Hugo Motta, afirmando que a atitude pode prejudicar o governo. O dirigente escreveu que um líder governista que decide “brigar com o presidente da Câmara” precisa demonstrar responsabilidade e compromisso com a gestão federal.
Segundo relatos, parte da bancada do PT apoia Lindbergh na disputa, enquanto outros avaliam que a confrontação pode agravar tensões já existentes entre o Executivo e o Legislativo. Parlamentares disseram nos bastidores concordar parcialmente com Quaquá, embora reconheçam que abandonar o líder neste momento seria ainda mais problemático para a sigla.
Ruptura entre Lindbergh e Hugo Motta após votação do Projeto Antifacção
O rompimento entre Lindbergh Farias e Hugo Motta ganhou força após a votação do Projeto Antifacção. O líder do PT orientou voto contrário ao texto porque a relatoria da proposta originalmente elaborada pelo governo Lula foi entregue a um deputado da oposição, que fez alterações, incluindo mudanças relacionadas à Polícia Federal.
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Após a votação, Lindbergh acusou Motta de “quebra de confiança”. O presidente da Câmara respondeu publicamente, afirmando que o governo errou ao orientar voto contra o projeto e que esperava apoio da bancada governista, com ajustes sendo feitos posteriormente via destaque.
A tensão se ampliou quando Hugo Motta afirmou não ter interesse em manter qualquer tipo de relação com o líder petista. Lindbergh, por sua vez, declarou não fazer questão de contato direto com o presidente da Câmara, mas garantiu que continuará participando das reuniões de líderes e dos espaços institucionais da Casa, mesmo sob comando de seu adversário político.
A crise expõe divergências estratégicas dentro do governo Lula, especialmente na articulação com o Congresso, em um momento em que o Planalto busca consolidar sua base para votações consideradas fundamentais.