A prisão de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, realizada pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira (18), em São Paulo, desencadeou preocupação imediata no Rioprevidência, responsável por administrar aposentadorias e pensões de mais de 235 mil servidores estaduais. A detenção coincidiu com a decisão do Banco Central, que decretou a liquidação extrajudicial da instituição financeira e determinou a indisponibilidade dos bens de seus controladores e ex-administradores.
Nos últimos meses, o Rioprevidência investiu aproximadamente R$ 1 bilhão em aplicações do Banco Master, mesmo após alertas emitidos pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) sobre os riscos envolvendo a instituição.
TCE havia proibido novos aportes no Banco Master
Em outubro, o TCE determinou que o governo estadual suspendesse investimentos em fundos administrados pelo Banco Master, citando indícios de gestão irresponsável dos recursos destinados a aposentados e pensionistas. A instituição já era alvo de um inquérito da Polícia Federal por crimes contra o sistema financeiro, incluindo suspeita de gestão fraudulenta. O Banco Master também havia sido descredenciado para operar empréstimos consignados do INSS.
Deputados estaduais já haviam alertado para o que classificaram como gestão temerária dos recursos do fundo.
- Advertisement -
Exposição bilionária e operações de risco
O Rioprevidência, abastecido por descontos salariais e receitas de royalties do petróleo, tem passado por escrutínio crescente do TCE. Em maio, o tribunal solicitou esclarecimentos sobre as aplicações e, desde então, afirma que a situação se deteriorou.
Em julho, foi identificado que cerca de R$ 2,6 bilhões, equivalentes a 25% dos recursos aplicados pelo fundo, estavam expostos a títulos e fundos administrados pelo Banco Master. Entre os casos citados pelo corpo técnico do TCE, está o aporte superior a R$ 1 bilhão no Arena Fundo de Investimento, administrado pela Master S.A. Corretora.
O fundo iniciou suas operações em 18 de dezembro de 2024 e, no dia seguinte, recebeu o primeiro aporte de R$ 50 milhões do Rioprevidência. Desde então, a unidade gestora realizou aportes sucessivos, tornando-se o único cotista.
A rentabilidade média do fundo — abaixo da poupança — levantou questionamentos sobre a ausência de vantagem financeira, além da falta de informações adequadas sobre outros aportes, incluindo mais de R$ 300 milhões em letras financeiras.
Em outra operação identificada em junho, um investimento inicial de R$ 100 milhões caiu para R$ 75 milhões em apenas um mês, reforçando indícios de má gestão dos recursos previdenciários.
- Advertisement -
Diante do risco para aposentados e pensionistas, o TCE comunicou o governador Cláudio Castro e o Ministério Público, solicitando providências urgentes.
Em nota, o Rioprevidência afirmou que não realizou aportes no Banco Master após o início do processo no TCE. O instituto declarou ainda que a decisão do tribunal foi divulgada antes que houvesse tempo hábil para reapresentar esclarecimentos técnicos.
O fundo também contestou as informações do TCE, afirmando ter investido aproximadamente R$ 960 milhões, e não R$ 2,6 bilhões, como divulgado. Segundo o Rioprevidência, a operação segue “regular e adimplente”.
O Banco Master não se manifestou.