O Instituto Marielle Franco lançou, nesta semana, a pesquisa “Regime de ameaça: a violência política de gênero e raça no âmbito digital”, que mostra a dimensão e a gravidade dos ataques direcionados a mulheres negras no cenário político brasileiro.
O estudo aponta como o espaço digital tem sido capturado por discursos de ódio, desinformação, ameaças e violências simbólicas, físicas e psicológicas, que atuam para expulsar mulheres negras da política e enfraquecer a democracia.
De acordo com o levantamento, a violência política digital não é pontual, mas sistêmica e coordenada. Entre os casos mapeados, 71% das ameaças envolveram morte ou estupro, e 63% das ameaças de morte faziam referência direta ao assassinato de Marielle Franco, revelando um padrão simbólico e violento que transforma esse feminicídio político em uma advertência brutal às mulheres negras que ousam disputar o poder.
A maioria das vítimas é formada por mulheres negras cis, trans e travestis, LGBTQIA+, periféricas, defensoras de direitos humanos, parlamentares, candidatas e ativistas. A sistematização dos dados foi obtida a partir de atendimentos feitos pelo Instituto Marielle Franco, em parceria com o Instituto Alziras, o portal AzMina, o coletivo Vote LGBT, o centro de pesquisa Internet LAB, além de dados captados da Justiça Global e Terra de Direitos.
Esta é a quarta pesquisa do Instituto Marielle Franco sobre o tema.
Luyara Franco, diretora-executiva do instituto e filha de Marielle, resume a pesquisa e suas contribuições.
“É um manual sobre o que fazer ao sofrer um episódio de violência política, de gênero e raça, no âmbito digital, oferecendo essas orientações seguras para as mulheres vítimas. E o diagnóstico e as recomendações da pesquisa podem contribuir para a formulação de políticas públicas, a partir dessas informações qualificadas sobre a violência política”.
Ela também fala sobre as características dessas mulheres.
“Têm em comum o fato de defenderem direitos humanos e adotarem uma agenda que honra o legado de Marielle Franco né, da minha mãe. Essa agenda, que é do campo progressista, que são multiplicadoras deste legado”.
Diante deste cenário, a pesquisa também faz recomendações, como a criação da Política Nacional de Enfrentamento à Violência Política de Gênero e Raça, que deverá orientar ações do Estado, do Legislativo, da sociedade civil e das plataformas digitais para garantir a proteção de mulheres negras na política.
O estudo completo pode ser acessado em: https://www.violenciapolitica.org/